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O Dadaísmo

Dadá vem para abolir de vez a lógica, a organização, a postura racional, trazendo para arte um caráter de espontaneísmo e gratuidade total.  O principal problema de todas as manifestações artísticas estava, segundo os dadaístas, em almejar algo que era impossível: explicar o ser humano.














O Dadaísmo surgiu em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, como uma resposta à decadência da civilização.

Spanish Physician, Max Ernst


A neutralidade da Suíça na guerra atraiu muitos artistas de toda a Europa. Os "fugidos de guerra" abrigaram-se em Zurique e costumavam se reunir no Cabaret Voltaire, onde nasceu o Dadaísmo. 


Com a Europa sendo destruída e banhada de sangue, os dadaístas não viam sentido em ficar cultivando a arte. Assim, assumiram uma postura de ridiculariza-la e agredi-la.

O romeno Tristan Tzara chocou o mundo ao divulgar os princípios do Dadaísmo, que viria a ser a mais radical, ilógica e incompreensível das vanguardas.

"[...] Eu destruo as gavetas do cérebro e aquelas da organização social: desmoralizar por toda parte e jogar a mão do céu no inferno, os olhos do inferno no céu, restabelecer a roda fecunda de um circo individual nos poderes da realidade, e a fantasia de cada indivíduo.

[...]
A questão é filosófica: de que ângulo começar a olhar a vida, deus, a idéia, ou seja lá o que for. Tudo que se olha é falso. Não considero o resultado relativo mais importante que escolher entre doces e cerejas na sobremesa. A maneira de olhar rápido o outro lado de uma coisa, para impor indiretamente sua opinião, se chama dialética, ou seja, decidir no cara-ou-coroa sob uma aparência de seriedade.

[...]
Nós rejeitamos a inclinação chorona em nós. Cada filtração dessa natureza é diarréia macerada. Encorajar essa arte significa digeri-la. Precisamos de obras fortes, diretas, precisas e para sempre incompreendidas. A lógica é uma complicação. A lógica é sempre falsa. Ela puxa os fios das noções e palavras exteriormente formais para alvos e centros ilusórios. Suas cadeias matam, miriápode enorme asfixiando a independência. Casada com a lógica, a arte viveria em incesto, engolindo sua própria cauda, que continua pertencendo ao seu corpo, fornicando consigo mesma, e o temperamento se tornaria um pesadelo feito de protestantismo, um monumento, uma massa de intestinos cinzentos e pesados.

[...]
Que cada homem grite: há um grande trabalho destrutivo, negativo, por realizar. Varrer, limpar. A limpeza do indivíduo se afirma após o estado de loucura, de loucura agressiva, completa, de um mundo deixado nas mãos de bandidos que demolem e destroem os séculos. Sem propósito nem plano, sem organização: a loucura indomável, a decomposição. Os fortes pela palavra ou pela força sobrevivem, porque são rápidos na defesa; a agilidade dos membros e dos sentimentos arde sob seus flancos facetados.
[...]
Todo produto da aversão suscetível de se tornar uma negação da família é dadá; protesto com toda a sua força em ação destrutiva: DADÁ; conhecimento de todos os meios rejeitados até agora pelo sexo pudico do compromisso cômodo e da polidez: DADÁ; abolição da lógica, dança dos incapazes de criação: DADÁ; de toda hierarquia e equação social estabelecidas pelos valores por nossos criados: DADÁ; cada objeto, todos os objetos, os sentimentos e as obscuridades, as aparições e o choque preciso de linhas paralelas, são meios para o combate: DADÁ; abolição da memória: DADÁ; abolição da arqueologia: DADÁ; abolição dos profetas: DADÁ; abolição do futuro: DADÁ; crença absoluta indiscutível em cada deus produto imediato da espontaneidade: DADÁ; salto elegante e sem preconceito de uma harmonia para outra esfera; trajetória de uma palavra atirada como um disco sonoro grito; respeitar todas as individualidades na sua loucura do momento: séria, temerosa, tímida, ardente, vigorosa, decidida ou entusiasmada; despojar sua igreja de todos os acessórios inúteis e pesados; cuspir como uma cascata luminosa o pensamento desagradável ou amoroso, ou acalentá-lo — com a viva satisfação de que tudo é igual — com a mesma intensidade na moita, livre de insetos para o sangue bem-nascido, e dourado com corpos de arcanjos, com sua própria alma. Liberdade: DADÁ DADÁ DADÁ, alarido de dores crispadas, entrelaçamento dos contrários e de todas as contradições, dos grotescos, das inconseqüências: A VIDA." - Tristan Tzara 

(tradução de Ivo Korytowski) 

E foi na Literatura que a ilogicidade dadaísta ficou ainda mais óbvia. Tzara, em seu último manifesto, afirmou que o segredo da poesia é que "o pensamento se faz na boca". Sabendo que as pessoas não haviam compreendido coisa alguma, ele fez questão de orientar seus seguidores dando uma receita básica para fazer um poema:

"Pegue um jornal.
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público."

Quanto às obras artísticas, dois artistas ganharam muito destaque: Ernst e Duchamp.

Max Ernst gostava de fazer suas obras por meio de montagens, recortes e colagens e suas pinturas são muito coloridas, unindo objetos estranhos de forma irracional. Observe algumas de suas obras: 

The Elephant Celebes

The Hat Makes the Man

Woman, Old Man, and Flower

Já Marcel Duchamp utilizava a técnica do ready-made, que consiste em extrair um objeto de uso cotidiano e atribuir-lhe um valor. Observe: 

Fonte

Why Not Sneeze Rrose Sélavy?

 
Bottle Rack

Bicycle Wheel

Outros dadaístas que merecem destaque são: Hugo Ball, Hans Arp, Francis Picabia, André Breton, Raoul Hausmann, Philippe Soupault, Georg Grosz e Hannah Höch.

 
The Art Critic, Raoul Hausmann 

Cut with the Kitchen Knife Dada Through the Last Weimar Beer Belly Cultural Epoch of Germany, Hannah Höch

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