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Parnasianismo

"Só não se inventou uma máquina de fazer versos - já havia o poeta parnasiano" - Oswald de Andrade, poeta modernista, no Manifesto Pau-Brasil. 















Foi em Paris que as primeiras manifestações parnasianas surgiram, em antologias publicadas sob o título de Parnasse Contemporain (parnaso contemporâneo), que incluíam poemas de Théophile Gautier, Banville e Leconte de Lisle. Tais autores deixaram transparecer nos poemas que escreveram uma opção bem definida pelo descritivismo, uma concepção bastante tradicional no que dizia respeito à forma (metro, rima, ritmo), e a tentativa de livrar o poema do excesso de sentimentalismo romântico, o que lhe garantia, muitas vezes, um tom impessoal. Os poetas românticos romperam com séculos de tradição da poesia clássica para criar um novo padrão de poesia, centrada no eu, nos sentimentos, na imaginação e na busca de uma língua brasileira. Na opinião dos poetas parnasianos, entretanto, os românticos teriam posto a "boa poesia" a perder, pois teriam deixado de se preocupar com os valores importante da poesia clássica, como equilíbrio, perfeição formal, vocabulário elevado, universalismo, etc. Desse modo, certos temas e procedimentos da poesia clássica - como cultivo do soneto, a presença da mitologia greco-latina, o racionalismo e o universalismo - voltaram a ser cultivados na poesia parnasiana. 

Contexto histórico, Filosofia, sociedade e valores 

O momento histórico que marca a transição do século XIX para o século XX e a definição de um novo ordenamento mundial é extremamente complexo e se prolonga até a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e as agitações sociais na Rússia (1917-1921). O processo burguês industrial evoluía a passos largos, gerando a luta das grandes potências pelos mercados consumidores e fornecedores de matéria-prima. A unificação da Alemanha (1870) e da Itália (1871) alavanca o processo de industrialização desses países (chamados países de capitalismo tardio) e os coloca na disputa por novos mercados. Por esses motivos, fragmenta-se a África e ampliam-se as influências sobre os territórios asiáticos; desenvolve-se, assim, a política do neocolonialismo (na África) e do imperialismo (na Ásia) e toma corpo o fantasma de uma guerra envolvendo os países europeus. Em consequência, temos duas situações distintas:
de um lado, um clima de euforia motivado pelo progresso industrial e pela expansão do capitalismo, pelo aumento do consumo, pela moderna urbanização (Paris torna-se símbolo desse novo mundo); era a consagração das soluções racionalistas e a vitória definitiva do pensamento científico, que sustentavam o avanço tecnológico (essa agitação eufórica da sociedade burguesa seria batizada, no início do século, como belle époque);
de outro, um clima de insatisfação, insegurança e pessimismo motivado pelo acirramento dos conflitos sociais; o mesmo progresso industrial que levava ao consumismo criava massas de excluídos; o movimento operário se organiza, eclodem greves. Uma parte da intelectualidade começa a questionar o "paraíso" prometido pela Revolução Industrial e a crença de que a Razão e a Ciência teriam respostas para tudo.

Refletindo essa ambiguidade, a literatura, e particularmente a poesia, percorre diferentes caminhos, daí resultando os movimentos parnasiano e simbolista. 

Características:
  • Opção por realizar uma poesia descritiva: os poetas passam a construir imagens que apresentem, de modo imparcial, fenômenos naturais, fatos históricos.
  • Preocupação com a técnica no momento de composição do poema: o metro, o ritmo, a rima, todos os elementos formais devem ser harmonizados na busca da perfeição.
  • Tentativa de manter uma postura impassível diante do objeto do poema, para não incorrer no excesso sentimentalista típico dos românticos.
  • Utilização de motivos clássicos, o que contribuía para acentuar a postura anti-romântica do movimento.
  • Incorporação do espírito da "arte pela arte"; a poesia deveria ser composta como um fim em si mesma.
  • Busca da palavra exata que, muitas vezes, beirava o preciosismo.

Principais artistas:
  • Alberto de Oliveira;
  • Raimundo Correia;
  • Olavo Bilac.

Aconselho que leiam os seguintes poemas:
  • Profissão de fé - Olavo Bilac;
  • A um poeta - Olavo Bilac;
  • As pombas - Raimundo Correia;
  • Via láctea - Olavo Bilac;
  • O ninho - Alberto de Oliveira;
  • Anoitecer - Raimundo Correia;
  • Inania verba - Olavo Bilac;
  • Vaso chinês - Alberto de Oliveira.


Fontes: Português: Linguagens - William Cereja & Thereza Cochar + Português: Língua, Literatura e Produção de Texto: Maria Luiza Abaurre, Marcela Nogueira Pontara & Tatiana Fadel.

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