Header Ads

Realismo e Naturalismo

"O Realismo é uma reação contra o Romantismo: o Romantismo era a apoteose do sentimento; - o Realismo é a anatomia do caráter. É a crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos - para condenar o que houver de mau na nossa sociedade." - Eça de Queirós, na Conferência "O Realismo como nova expressão de arte".















Contexto histórico 

A Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, entra numa nova fase em meados do século XIX (a chamada Segunda Revolução Industrial), caracterizada pela utilização do aço, do petróleo e da eletricidade; ao mesmo tempo, o avanço científico leva a novas descobertas no campo da Física e da Química. O capitalismo se estrutura em moldes modernos, com o surgimento de grandes complexos industriais; por outro lado, a massa operária urbana avoluma-se, formando uma população marginalizada que não partilha os benefícios gerados pelo progresso industrial, mas, ao contrário, é explorada e sujeita a condições subumanas de trabalho. Esse momento histórico contamina a leitura de mundo realizada pelos artistas e resulta em novas linguagens, novas formas de expressão. 

Sociedade e seus valores 

A multiplicação das máquinas e o crescimento do comércio contribuíram para a adoção de uma perspectiva extremamente otimista que associava a Revolução Industrial à possibilidade de importante reformas sociais. A industrialização, porém, acarretou um efeito social bastante previsível: acentuou a distinção entre a classe média (burguesia) e a classe trabalhadora (proletariado). As pessoas engajadas no comércio e que participavam ativamente do sistema capitalista foram as beneficiadas pelos novos meios de produção. Os trabalhadores, agora assalariados, encontravam-se no outro lado do espectro social. A pobreza tornou-se, desse modo, um problema associado à industrialização, porque o novo sistema de produção fez crescer assustadoramente os sacrifícios a que eram submetidos os trabalhadores. O acúmulo de pessoas nos grandes centros urbanos agravou os problemas já existentes. Sem emprego suficiente, os camponeses, expulsos do campo pelas máquinas, vagavam pelos centros urbanos sem as mínimas condições de vida. As epidemias aumentaram como consequência natural da falta de condições básicas de higiene. A mendicância e a prostituição tornaram-se subprodutos indesejáveis e degradantes da sociedade capitalista. O mundo das máquinas, das fábricas, dos transportes, das novas teorias sociais, tornava inviável a visão de mundo romântica, que fazia do indivíduo e de seus dramas sentimentais o centro de todas as coisas. 

Filosofia

"No século XIX, em decorrência do otimismo trazido pelas ideias de progresso, desenvolvimento técnico-científico, poderio humano para construir uma vida justa e feliz, a Filosofia apostou nas teorias revolucionárias - anarquismo, socialismo, comunismo -, que criaram, graças à ação política consciente dos explorados e oprimidos, uma sociedade nova, justa e feliz." - Marilena Chauí. "Todavia, quem pensa e sabe hoje na Europa, não é Portugal, não é Lisboa, cuido eu: é Paris, é Londres, é Berlim. Não é a nossa divertida Academia de Ciências que resolve, decompõe, classifica e explica o mundo dos fatos e das ideias. É o Instituto da França, é a Academia Científica de Berlim, são as escolas de filosofia, de história, de matemática, de física, de biologia, de todas as ciências e de todas as artes, em França, Inglaterra, em Alemanha." - Antero de Quental. Para Antero de Quental, o que importava era "resolver, decompor, classificar e explicar o mundo dos fatos e das ideias". Em outras palavras, ele defendia o pensamento científico. Essa postura intelectual é chamada de cientificismo. Esse contexto serve de pano de fundo para uma reinterpretação da realidade, que gera teorias de variadas posturas ideológicas. Numa sequência cronológica, temos:

  • O positivismo de Augusto Comte;
  • O socialismo científico de Karl Marx e Friedrich Engels;
  • O evolucionismo de Charles Darwin. 

Refletindo essa nova ordem, é publicado na França, em 1857, Madame Bovary, de Gustave Flaubert, considerado o primeiro romance realista da literatura universal. Em 1867, Émile Zola lança Thérèse Raquin, inaugurando o romance naturalista. 

Peneiradoras de Trigo, de Gustave Courbet

Características do Realismo:
  • Objetivismo;
  • Descrição e adjetivação objetivas, voltadas a captar o real como ele é;
  • Linguagem culta e direta;
  • Mulher não idealizada, mostrada com defeitos e qualidades;
  • Amor e outros sentimentos subordinados aos interesses sociais;
  • Casamento como instituição falida;
  • Herói problemático, cheio de fraquezas, manias e incertezas;
  • Narrativa lenta, acompanhando o tempo psicológico;
  • Personagens trabalhados psicologicamente;
  • Universalismo.

Características do Naturalismo:
  • Linguagem simples;
  • Clareza, equilíbrio e harmonia na composição;
  • Preocupação com minúcias;
  • Presença de palavras regionais;
  • Descrição e narrativa lentas;
  • Impessoalidade;
  • Determinismo;
  • Objetivismo científico;
  • Temas de patologia social;
  • Observação e análise da realidade;
  • Ser humano descrito sob a ótica do animalesco e do sensual;
  • Despreocupação com a moral;
  • Literatura engajada.

As influências:
  • Marx e Engels;
  • Darwin.

Os marcos:
  • 1857 - Madame Bovary - Gustave Flaubert;
  • 1865 - Questão Coimbrã;
  • 1867 - Thérèse Raquin - Émile Zola;
  • 1871 -Conferências Democráticas do Casino Lisbonense;
  • 1875 - O crime do padre Amaro - Eça de Queirós;
  • 1881 - O mulato - Aluísio Azevedo;
  • 1881 - Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis.

Principais artistas e obras:
  • Gustave Flaubert: Madame Bovary.
  • Émile Zola: Thérèse Raquin.
  • Eça de Queirós: O crime do padre Amaro, O primo Basílio, Os Maias.
  • Antero de Quental: Odes Modernas, Sonetos completos, Primaveras românticas, Raios de extinta Luz.
  • Machado de Assis: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Ressurreição, A mão e a luva, Helena, Iaiá Garcia, Dom Casmurro, Papéis avulsos.
  • Aluísio Azevedo: O mulato, O cortiço, Casa de Pensão.
  • Júlio Ribeiro: A carne.
  • Adolfo Caminha: A normalista, O bom-crioulo.
  • Jean-François Millet.
  • Honoré Daumier.
  • Jean-Baptiste-Camille Corot.
  • Winslow Homer.
  • John Singer Sargent.

Fontes: Português: Linguagens - William Cereja & Thereza Cochar + Português: Língua, Literatura e Produção de Texto: Maria Luiza Abaurre, Marcela Nogueira Pontara & Tatiana Fadel.

Gostou? Acompanhe nossa página no Facebook!



Leia também:

Tecnologia do Blogger.