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A redação e os bloqueios criativos

"Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro e não quer sair."
(Carlos Drummond de Andrade)

“Tantos estudantes psiquicamente normais, que falam bem, e até com exuberância e eloquência, no intercâmbio de todos os dias, são desoladores quando se lhes põe um lápis ou uma caneta na mão.”
(Mattoso Câmara)















São poucas as pessoas que, ao receberem a incumbência de escrever alguma coisa, ainda que um simples bilhete, não sintam inibição paralisante. Acontece um branco em sua mente, um vazio nas suas potencialidades. Vivem minutos (minutos?) de angústia, roem unhas, mascam caneta e nada sai.


O que acontece, se tal ocorre inclusive com pessoas de razoável conhecimento, como executivos desinibidos, por exemplo?
Primeiramente, como causa objetiva, existe a falta de hábito da escrita e da leitura. Secundariamente, existe a causa subjetiva, o bloqueio psíquico. Quando escrevemos, temos medo de expor-nos. Em geral, não tememos ser gozados pelo que dizemos. Mas não aceitamos a hipótese de gozação pelo que escrevemos. É a força do documento!...
É importante não esquecer que, o mais das vezes, falar bem não significa necessariamente escrever bem. Na linguagem oral, usamos de recursos que inexistem na escrita: os gestos, por exemplo, ou as situações configuradas, facilmente descritas ou levadas a imaginar, são elementos fundamentais para que a comunicação possa ser efetuada. Convém ainda lembrar que no falar somos repetitivos e, às vezes, até mesmo obscuros, sem que ninguém nos "anule" nada. Na redação, ao contrário, a objetividade e a clareza devem se fazer presentes, pois nós não seremos inquiridos no caso de alguma dúvida.
Daí que nossas dificuldades se refletem em brancos ou bloqueios e somente como já dissemos, muito treinamento e perseverança são capazes de nos devolver a autoconfiança abalada e de nos oferecer um mínimo de condições para que o fazer redações não se torne algo não só penoso, mas impossível.

- Como evitar isso?
- Treinando! Escrevendo todos os dias. Lendo e escrevendo.

- E tempo?
Todos dispõem de tempo. É apenas uma questão de saber aproveitá-lo. De dez minutos diários para uma leitura, de mais dez minutos para pequena redação, todos dispõem. É só fazer hábito e... até o gosto é capaz de adquirir.

- Adianta escrever se ninguém corrige?
- Evidentemente que sim! Escrevendo todos os dias você vai se desinibindo. Vai adquirindo jeito para a coisa. Vai sanando dúvidas de ortografia (desde que consulte o dicionário). Vai ficando fluente.

- Escrever sobre quê?
- Sobre qualquer coisa. No começo, é aconselhável escrever sobre coisas que aconteceram com você. Exprimimos melhor assuntos que vivemos. Depois sobre uma notícia, um comentário. A cena de um filme. Mais tarde um tema abstrato. Reproduzir aquilo que leu. Ou então reescrever as redações que voltam da correção, corrigindo-as nos erros apontados, aumentando-as em ideias novas, enriquecendo-as de detalhes que, porventura, tenhamos lido ou que tenham nos ocorrido. E assim vai indo...

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