Resenha: Delírio, poesia e morte - A solidão de Álvares de Azevedo, de Luciana Fátima


Álvares de Azevedo é meu autor preferido desde a adolescência. Já li todos os livros e cartas publicadas dele, bem como algumas biografias. Então, sempre fui muito interessada em qualquer conteúdo relacionado ao autor.

Há uns meses, o Facebook começou a me recomendar postagens da página Delírio, Poesia e Morte - A Solidão de Álvares de Azevedo. Comecei a acompanhar as postagens aqui e ali e aos poucos fui conhecendo um pouco mais sobre o livro. Fiquei namorando ele por uns 3 meses, até que no início desse ano resolvi comprá-lo. Agora, depois de já ter lido o livro, só posso dizer que é uma das obras mais completas sobre o autor Álvares de Azevedo que já li.

Delírio, poesia e morte: a solidão de Álvares de Azevedo, da escritora Luciana Fátima, é uma biografia romanceada do autor. Ou seja, nesse livro a autora Luciana Fátima assumiu a voz de Maneco (apelido carinhoso de Álvares de Azevedo) como se ele mesmo estivesse escrevendo um diário.


O livro conta a história de Álvares de Azevedo desde a infância até a sua morte, sendo que a autora se focou muito mais em ilustrar o período em que Maneco já estava cursando Direito na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Isso porque a época em que ele esteve na universidade foi quando ele conheceu outros autores e se aprofundou nos estudos literários.

Outra coisa que chamou a atenção no livro foi que a autora não se preocupou apenas em ilustrar os aspectos relacionados a como Álvares de Azevedo possivelmente escrevia seus poemas e romances. Ela também abordou temas relacionados à vida familiar e às amizades que Maneco cultivava. No fim das contas, foi muito interessante que partes do livro abordassem a vida pessoal de Maneco, enquanto outras abordassem a vida acadêmica e criativa do autor, pois isso deixou claro sobre como os diferentes âmbitos da vida do autor estavam interligados. Quando o autor passava por períodos mais boêmios, frequentando reuniões com os amigos e bailes em São Paulo, sua poesia se tornava menos soturna e, várias vezes, irônica; quando passava por períodos em que enfrentava alguma doença ou quando tinha que ficar muitos meses longe de sua família (que morava no Rio de Janeiro), a poesia de Maneco se tornava muito mais melancólica.

Foi possível notar que Luciana fez uma pesquisa extensa sobre a vida e morte do autor, sendo que ela inclusive colocou vários trechos de cartas e discursos originais ao longo do livro, que geralmente são pouco divulgados, enriquecendo ainda mais a obra.

Depois dessa leitura, só posso dizer que senti meu coração bem quentinho, como se tivesse passado horas e horas conversando com o Maneco.