Resenha: Meu corpo virou poesia, de Bruna Vieira


Hey, pessoal! Tudo bem? Hoje vou compartilhar com vocês uma de minhas últimas leituras: “Meu corpo virou poesia”, de Bruna Vieira. Para que não conhece a Bruna ainda, ela é uma blogueira e autora muito popular aqui no Brasil, principalmente entre o público mais jovem adulto.

A Bruna começou ainda adolescente a escrever em seu blog Depois dos Quinze, sendo que hoje ela já tem diversos livros publicados, dentre eles o “Depois dos quinze: Quando tudo começou a mudar” e o “A menina que colecionava borboletas”. Porém, todos os livros que a Bruna havia publicado até hoje eram todos crônicas e romances. Assim, “Meu corpo virou poesia” é a primeira experiência da autora com a poesia.

Nas próprias palavras da autora, decidir escrever um livro de poesias não foi uma escolha pensada.

Na verdade, sinto que fui escolhida e acolhida pelo gênero em um momento que as coisas estavam extremamente confusas e instáveis na minha vida. Algo me impedia de destrinchar e desenvolver tudo de uma vez. Meu corpo precisava dessa força para continuar existindo. A poesia me trouxe coragem e liberdade para olhar atentamente e perceber cada uma das minhas feridas internas que, naquela época, ainda latejavam e me tiravam o sono. (p. 175)

O livro é dividido em quatro partes: cabeça, garganta, pulmão e ventre. Cada uma dessas partes revela a evolução da autora ao longo dos anos, demonstrando suas mais íntimas cicatrizes e aprendizados.

A primeira parte do livro – cabeça – apresenta diversas poesias que fazem lembrar do passado. Aqui, a autora parece relembrar os momentos em que se reconheceu dentro de um relacionamento e uma vida que já não a faziam completamente feliz. São relatos muito profundos do passado da autora. Cada poesia parece ser uma pista que faz com que ela aos poucos vá reconstruindo um mapa do seu passado.


A segunda parte do livro – garganta – faz lembrar de uma pessoa que acabou de se libertar de uma situação que já não a fazia mais se sentir feliz e agora está redescobrindo a própria voz. Nessa parte do livro, dá para perceber que a autora ainda demonstrava alguns sentimentos de incerteza acerca das decisões que havia tomado e do futuro que teria pela frente, ao mesmo tempo que lutava para se reconstruir.


A terceira parte do livro – pulmão – já mostra uma Bruna Vieira que conseguiu encontrar seu caminho de volta para a independência. Os poemas dessa parte do livro são bem reflexivos, apresentando pensamentos sobre autorreconhecimento, incertezas e antigos relacionamentos.

Um pássaro inexperiente
pousa e tenta se equilibrar
no galho mais fino da árvore,
e o esforço para continuar ali é evidente.
Suas pernas se soltam e caem em câmera lenta
enquanto todos os outros observam.
Ele sente medo de cair
porque se esquece
que tem asas
e chegou até ali
sozinho
voando.

Ainda não é hora
de construir um novo
ninho.

Saia antes
que todas as suas
penas tenham
se soltado.
(“Um pássaro me ensinou”, p. 91)

Já a última parte do livro – ventre – mostra uma Bruna que finalmente se recuperou e está florescendo novamente. Aqui, tem diversos poemas que tratam sobre temas como amor-próprio e inteligência emocional.


“Meu corpo virou poesia” é um livro que te envolve e te toca profundamente. Ele te força a reviver e refletir sobre o passado e sobre como muitas vezes você se vê refém do que já aconteceu. Tenho certeza de que muitas de vocês irão se reconhecer no livro da Bruna Vieira.

Comprei o meu livro ainda na pré-venda na Amazon. Quando comprei, ele veio com um kit super mimoso contendo umas tattoos e dois pacotinhos com argila rosa e hidratante da Quintal. Além disso, tive a felicidade de receber uma edição autografada! Recomendo demais essa leitura!