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15 alusões literárias para usar em sua redação

Hermione Granger, personagem da série "Harry Potter", enfrenta o preconceito na comunidade bruxa por ser nascida trouxa.






A prova de redação, principalmente no Enem, é extremamente interdisciplinar. Espera-se que o candidato não só domine a língua portuguesa e as técnicas de construção de um texto, como também transpareça o conhecimento do tema proposto e suas consequências no mundo atual.


Para isso, é necessário evitar uma argumentação superficial na redação. A melhor forma de fazer isso é através de citações filosóficas e alusões históricas e literárias. Ao inserir uma citação de um grande filósofo, mencionar um livro ou fazer uma comparação entre o tema proposto e um fato histórico do passado, o candidato deixa claro aos corretores que seus conhecimentos vão além do que está presente nos textos de apoio, o que certamente agrega mais profundidade e complexidade no desenvolvimento da redação. 

Em 2016 fiz o Enem novamente, depois de vários anos sem prestá-lo, desta vez apenas como "treineira". Obviamente, queria muito ver como me sairia na redação, por causa do trabalho que desenvolvo aqui no Acrobata das Letras. Quando finalizei a prova de domingo, dia da redação, sabia que tinha ido bem, mas não esperava tirar a nota que tirei. Foi um 980, uma nota que com certeza eu não teria alcançado se não fossem as citações e alusões históricas e literárias que empreguei na minha redação.

O tema dessa edição do Enem envolveu intolerância religiosa. Como alusão histórica, citei o Segundo Reinado, quando os africanos escravizados nas nossas terras viam-se forçados a abandonar suas religiões de origem e seguir o cristianismo, e como eles resistiam contra isso, citando a forma como eles rebatizavam seus deuses e orixás com nomes de santos católicos a fim de poderem continuar a praticar e seguir suas crenças sem serem notados e perseguidos. Também inseri uma citação filosófica, bem no fim do parágrafo de conclusão: "O resultado mais sublime da educação é a tolerância", de Helen Keller (e, aliás, só me lembrei desta citação pois havia colocado a mesma no meu outro post, "40 citações filosóficas para usar em sua redação"). 


Mas, sem dúvida alguma, o que agregou bastante na minha argumentação foi a alusão literária que consegui fazer no meu texto. Assim que bati o olho no tema e li os textos de apoio, logo me lembrei de um livro, ou melhor, de uma série de livros que havia terminado de ler pouco tempo antes do Enem: As Brumas de Avalon, da escritora Marion Zimmer Bradley. Para quem não conhece a obra, As Brumas de Avalon reconta a lenda do rei Artur a partir da perspectiva das poderosas mulheres do reino de Avalon e Camelot. O conflito central do livro vai desde o combate aos saxões invasores até quando o Cristianismo começa a tomar força e a dominar a Bretanha, estabelecendo um conflito com os cultos pagãos. Ao citar esta obra, fiz uma relação sobre como muitas vezes os poderosos usam crenças religiosas para alienar e dominar grupos minoritários. Também mencionei o próprio rei Artur, cujo nascimento, nos livros, foi tomado como ponto de partida para uma unificação da Bretanha (foi previsto que ele iria promover a paz entre os diferentes povos etc. etc. etc.), mas que, considerando a realidade e a pluralidade do Brasil, os conflitos religiosos não seriam resolvidos por apenas uma única pessoa, mas sim em coletividade.



Pensando em como ter citado As Brumas de Avalon ajudou no desenvolvimento da minha redação, resolvi escrever este artigo reunindo algumas alusões literárias que você pode usar em sua redação, nos mais diferentes contextos e temas. Espero que gostem!


Harry Potter, de J.K. Rowling



Resumo: A vida do menino Harry Potter não tem um pingo de magia. Ele vive com os tios e o primo, que não gostam nem um pouco dele. O quarto de Harry é, na verdade, um armário sob a escada, e ele nunca comemorou um aniversário sequer em onze anos. Até que, um dia, Harry recebe uma carta misteriosa, entregue por uma coruja: um convite para estudar num lugar incrível chamado Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts. Lá ele vai encontrar não só amigos, esportes praticados em vassouras voadoras e magia para todo lado, como também seu destino: ser um aprendiz de feiticeiro até o dia em que terá que enfrentar a pior força do mal, o bruxo que assassinou seus pais. Mas, para isso, Harry precisará passar por uma série de desafios e enfrentar inúmeros perigos. 


Contexto em que pode ser usado: Aceitação do diferente. Eu mesma já citei Hermione Granger em uma redação como exemplo de uma pessoa que, apesar de todas as suas qualidades, sofre com o preconceito por causa de suas origens (nos livros, a personagem é nascida trouxa, fato interpretado como "ruim" por alguns bruxos de sangue puro). A perseguição aos nascidos trouxas pode ser usada como gancho para tratar da aceitação do diferente e combate ao preconceito.


1984, de George Orwell


Arte de iskallvinter

Resumo: Winston, herói de '1984', último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O’Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que 'só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade - só o poder pelo poder, poder puro.'

Contexto em que pode ser usado: O livro conta a história de um mundo dominado por ditadores. Você pode usá-lo em qualquer tema que envolva os direitos à liberdade de expressão e privacidade e no combate à censura.


Laranja Mecânica, de Anthony Burgess



Resumo: Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma reposta igualmente agressiva de um governo totalitário. A estranha linguagem utilizada por Alex - soberbamente engendrada pelo autor - empresta uma dimensão quase lírica ao texto. Ao lado de '1984', de George Orwell, e 'Admirável Mundo Novo', de Aldous Huxley, 'Laranja Mecânica' é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século XX. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick, é uma obra marcante: depois da sua leitura, você jamais será o mesmo.

Contexto em que pode ser usado: Pode ser usado em diferentes contextos. Apesar do ar futurístico empregado na obra, a violência exacerbada presente no livro pode ser comparada diretamente à violência urbana que vemos diariamente nos jornais dos dias de hoje (infelizmente, sem muitas diferenças). Você também pode usar em temas que envolvam controle mental e supressão de direitos básicos, como a liberdade de expressão.


Homem Invisível, de Ralph Ellison



Resumo: Um clássico da literatura norte-americana. O homem invisível é a história de um jovem negro que sai do sul racista dos Estados Unidos e vai para o Harlem, em Nova York, nos primeiros anos do século XX. Com o passar do tempo, entre experiências frequentemente contraditórias, o protagonista conhece um mundo muito diferente daquele que idealizara. Invisível para brancos racistas, e também para negros radicais, ele deseja apenas ser como é, e não um “homem invisível”, onde todos veem o que o rodeia e não a ele próprio.

Contexto em que pode ser usado: Qualquer tema que envolva racismo e diferentes formas de preconceito.


Lolita, de Vladimir Nabokov



Resumo: Lolita é uma das obras mais polêmicas da literatura contemporânea universal. Muito arrojado para a moral vigente na época, o romance de Vladimir Nabokov (1899-1977) foi inicialmente recusado por várias editoras. Ao ser finalmente lançado, em 1955, por uma editora parisiense, gerou opiniões antagônicas: houve quem definisse o livro como um dos melhores do ano; houve quem o considerasse pornografia pura. Nos Estados Unidos, onde só viria a ser publicado em 1958, rapidamente conquistou o topo das listas de mais vendidos. 
O protagonista é o obsessivo Humbert, professor de meia-idade. Da cadeia, à espera de um julgamento por homicídio, ele narra, num misto de confissão e memória, a irreprimível e desastrosa atração por Lolita, filha de 12 anos de sua senhoria. 

Contexto em que pode ser usado: Qualquer tema que envolva pedofilia e aliciamento de menores de idade.


A Cor Púrpura, de Alice Walker



Resumo: Neste livro conhecemos a história de uma garota chamada Celie, de 14 anos, que é abusada sexualmente pelo próprio pai e tem dois filhos com ele.
'Querido Deus': assim começa a maior parte das cartas escritas por Celie. Negra, semianalfabeta, vivendo no Sul dos Estados Unidos, subjugada a um homem que ela pensa ser seu pai, forçada a viver longe dos dois filhos e com um marido a quem não ama, Celie vive entre cuidar da família e planejar uma vida diferente da sua para a irmã, Nettie. As duas irmãs passariam trinta anos sem notícias uma da outra, Celie confiando seus pensamentos a Deus, seu único correspondente. Até que sua amizade com Shug Avery, cantora de sucesso e amante de seu marido, lhe dá outra perspectiva da vida. Em oposição à solidão, pobreza, brutalidade e violência, Celie descobre novas maneiras de sentir: beleza, conforto, desejo, saudade, esperança, amor e consciência de si. 
Ganhador do Prêmio Pulitzer de 1983.

Contexto em que pode ser usado: Qualquer tema que envolva racismo e machismo.


Extraordinário, de R. J. Palacio



Resumo: August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso, ele nunca havia frequentado uma escola de verdade... até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.

Contexto em que pode ser usado: Temas que envolvam o combate ao preconceito e aceitação do diferente.


Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie



Resumo: Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinze vivem o idílio do primeiro amor, a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar. Em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que se destaca no meio acadêmico, ela depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra. 

Contexto em que pode ser usado: Em temas que envolvam imigração, preconceito racial e desigualdade de gênero.


Eu sou Malala, de Malala Yousafzai



Resumo: Quando o Talibã tomou controle do vale do Swat, uma menina levantou a voz. Malala Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou pelo seu direito à educação. Mas em 9 de outubro de 2012, uma terça-feira, ela quase pagou o preço com a vida. 
Malala foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus no qual voltava da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria.
Mas a recuperação milagrosa de Malala a levou em uma viagem extraordinária de um vale remoto no norte do Paquistão para as salas das Nações Unidas em Nova York. Aos dezesseis anos, ela se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história a receber o Prêmio Nobel da Paz.


Eu sou Malala é a história de uma família exilada pelo terrorismo global, da luta pelo direito à educação feminina e dos obstáculos à valorização da mulher em uma sociedade que valoriza filhos homens.
O livro acompanha a infância da garota no Paquistão, os primeiros anos de vida escolar, as asperezas da vida numa região marcada pela desigualdade social, as belezas do deserto e as trevas da vida sob o Talibã.

Contexto em que pode ser usado: Temas que envolvem a luta pelo direito à educação e o combate à desigualdade de gênero.


A Peste, de Albert Camus



Resumo: Romance que destaca a mudança na vida da cidade de Oran depois que ela é atingida por uma terrível peste, transmitida por ratos, que dizima sua população. Narrado do ponto de vista de um médico envolvido nos esforços para conter a doença, o texto de Albert Camus ressalta a solidariedade, a solidão, a morte e outros temas que auxiliam na compreensão dos dilemas do homem moderno.

Contexto em que pode ser usado: Embora seja claramente uma metáfora da Segunda Guerra Mundial, se interpretado no sentido literal você poderá citar este livro em temas que envolvam saúde pública, a importância do saneamento básico nos meios urbanos e o acesso da população à informação como medidas profiláticas essenciais na prevenção e combate às epidemias.


Jogos Vorazes, de Suzanne Collins



Resumo: a trilogia Jogos Vorazes se passa em um futuro pós-guerras e destruição, em um local antes conhecido como América do Norte e agora chamado de Panem. O novo país é dividido em treze Distritos, que são controlados pela Capital, totalmente autoritária. Tudo que é produzido nos Distritos abastece obrigatoriamente a Capital, sendo terminantemente proibido que os Distritos consumam o que produzem. Um dia, o Distrito 13 se rebela, mas acaba sendo destruído. Para punir os demais Distritos e evitar novas rebeliões, a Capital cria os Jogos Vorazes, um reality show anual em que cada região do país deve ceder, por meio do sorteio chamado Colheita, um menino e uma menina entre 12 e 18 anos para entrar numa arena para lutar. Apenas um sobrevive.


Contexto em que pode ser usado: Em temas que envolvam opressão de grupos minoritários, fome, pobreza e também sobre os efeitos da guerra entre os homens.


Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus



Resumo: O diário da catadora de papel Carolina Maria de Jesus deu origem à este livro, que relata o cotidiano triste e cruel da vida na favela. A linguagem simples, mas contundente, comove o leitor pelo realismo e pelo olhar sensível na hora de contar o que viu, viveu e sentiu nos anos em que morou na comunidade do Canindé, em São Paulo, com três filhos.

Contexto em que pode ser usado: Temas que envolvam a pobreza, a fome, a desigualdade social e o racismo.


Vidas Secas, de Graciliano Ramos



Resumo: Vidas Secas, romance publicado em 1938, conta a história do vaqueiro Fabiano que, juntamente com sua mulher, Sinha Vitória, seus dois filhos e, é claro, a cadela Baleia, enfrentam uma vida miserável em meio à seca nordestina, sendo obrigados a se deslocar de tempos em tempos como retirantes para áreas menos castigadas e com maiores possibilidades de sobrevivência.

Contexto em que pode ser usado: Qualquer tema que envolva a desigualdade social, a fome e a pobreza, e a importância do acesso aos direitos básicos.


A Morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói



Resumo: Esta obra mostra a história de um burocrata medíocre, Ivan Ilitch, um juiz respeitado que depois de conseguir uma oferta para ser juiz em uma outra cidade, compra um apartamento lá, para ele, sua mulher, sua filha e seu filho morarem. Ao ir para o apartamento, antes de todos, para decorá-lo, ele cai e se machuca na região do rim, dando início à uma doença, que por fim o levará à morte.

Contexto em que pode ser usado: Apesar de toda a subjetividade do livro, a forma como todos os "amigos" do protagonista Ivan Ilitch, e até mesmo sua esposa, trataram sua morte (preocupando-se mais com suas posses e o cargo de trabalho que deixaria vago quando morresse) pode ser usada como gancho para uma crítica ao individualismo e falta de senso de coletividade.


Fahrenheit 451, de Ray Bradbury



Resumo: Escrito após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1953, 'Fahrenheit 451', de Ray Bradubury é um texto que condena não só a opressão anti-intelectual nazista, mas principalmente o cenário dos anos 1950, revelando sua apreensão numa sociedade opressiva e comandada pelo autoritarismo do mundo pós-guerra. O livro se propõe a descrever um governo totalitário, num futuro incerto, mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instalados em suas casas ou em praças ao ar livre. A leitura deixou de ser meio para aquisição de conhecimento crítico e tornou-se tão instrumental quanto a vida dos cidadãos, suficiente apenas para que saibam ler manuais e operar aparelhos.

Contexto em que pode ser usado: Temas que envolvam a opressão, a censura e o cerceamento da liberdade de expressão. Também pode ser usado como gancho para tratar sobre a importância da leitura e do acesso à cultura e educação.

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